sexta-feira, 24 de junho de 2011

Acne - um olhar clínico!




A acne é uma afecção cutânea de alta prevalência, especialmente em adolescentes e adultos jovens de ambos os sexos, mas os homens são afetados pelas formas mais graves da acne. Diversas opções terapêuticas estão disponíveis, desde os esfoliantes, antibióticos tópicos e sistêmicos até a isotretinoína sistêmica. A opção terapêutica depende da forma clínica da acne, sua gravidade e algumas características individuais, como adesão ao tratamento e desejo de gestação.


A acne vulgar é uma enfermidade inflamatória  afecciosa da unidade pilossebácea da pele, caracterizada inicialmente pela presença de um cômedo ou comedão. Essa estrutura ocorre pela obstrução do orifício  pilossebáceo, com acúmulo de secreções, restos celulares e algumas vezes um ácaro: o demodex foliculorum.
A acne ocorre mais frequentemente em jovens  adolescentes, sendo possível caracterizá-la como fisiológica. Estima-se que 80% da população sofre de algum tipo de acne durante a vida. A acne é, uma manifestação temporária da puberdade, correlacionando-se mais com a idade puberal do que com a idade cronológica. Entretanto pode acompanhar o indivíduo além dos 30 anos, especialmente no sexo feminino.
Vários são os fatores que influenciam a gravidade do quadro e o seu surgimento. Porém a elevação da carga hormonal com as modificações características da pele são os principais responsáveis. É possível que a acne possua componente genético na conformação do folículo, facilitando a obstrução. A severidade das lesões é variada, desde cômedos isolados até nódulos dolorosos e cicatrizes deformantes, o que justifica a preocupação dos pacientes e a procura por tratamentos médicos e estéticos.

Fisiopatologia

Quatro são os principais causas da patogênese da acne: a comedogênese ou hierqueratinização sebácea, a hiper-segregação do sebo, a colonização bacteriana pelo Propionibacterium Acnes (P. Acnes) e o processo inflamatório e afeccioso.  Os dois primeiros são diretamente favorecidos pela mudança dos padrões estruturais da glândula por estímulo hormonal, que geralmente ocorre na adolescência e em distúrbios hiperandrogênicos. As glândulas pilossebáceas sofrem uma modificação fundamental para o processo de formação do acne. Há uma hipertrofia de toda a glândula decorrente da ação androgênica sobre sua estrutura, não necessariamente levando à formação de acne, mas criando condições para a formação do cômedo. Uma hiperproliferação na porção epidérmica,  forma uma “rolha” e oclui o óstio ductal, impedindo a drenagem do sebo normalmente produzido pela glândula e favorecendo a comedogênese. Além da barreira mecânica produzida pelo cômedo, existe também uma hiperestimulação androgênica para a produção da secreção sebácea. A produção de sebo retida pelo cômedo oclusido propicia a colonização bacteriana pelo P. acnes e a instalação do processo inflamatório e infeccioso em toda a glândula.

Manifestações Clínicas

O diagnóstico da acne se estabelece por uma mescla de lesões localizadas principalmente na face, no dorso e no tórax. As lesões são caracterizadas pela presença do cômedo, que pode ser fechado, com aspecto esbranquiçado, geralmente medindo de 1 a 2mm; ou aberto, de cor enegrecida devido à oxidação, sem manifestação de proliferação da bactéria P. Acnes. Neste quadro temos também a descamação que acompanha a segregação do sebo na pele, aumentando a espessura da mesma. Para este quadro clínico temos Acne Grau I ou Acne Comedogênica. O tratamento do Acne Grau I é com Limpeza de Pele periódica, manutenção diária com dermoativos seborreguladores da atividade das glândulas sebáceas, controladores de microorganismos vivos, preservando a flora epitelial em perfeito equilíbrio, além de princípios ativos dermocosméticos hidratantes, uma necessidade clássica de qualquer biótipo cutâneo, inclusive a pele lipídica. Iniciar esfoliação física com microesferas de polietileno ajuda a manter a espessura da pele em equil'brio, sem favorecer a manifestação da bactéria.


Pápulas eritematosas e sólidas com até 1cm de diâmetro podem ocorrer,o que indica atividade da bactéria P.Acnes com manifestação da afecção que pode evoluir com a formação de pápulas-pústulosas. Cistos sebáceos também podem surgir nessa fase devido ao excesso de produção de óleo pela glândula sebácea e pelo aumento da espessura da epiderme. Nesta manifestação clínica temos o Acne Grau II.
Para o tratamento nesta fase, é importante fazer extração apenas dos comedões e dos cistos sebáceos, quanto as pápulas ou as pápulas-pustulosas não se deve fazer nenhum tipo de pressão e nem tão pouco extrai-las. Para o tratamento do processo afeccioso iremos aplicar antiinflamatórios  e antibióticos tópicos no local. Os ácidos como o Ácido salicílico e  glicólico são indicados por sua ação queratolítica, bactericida, antiinflamatória e seborreguladora. Os antiinflamatórios e antibióticos mais utilizados são, própolis, óleo de melaleuca, enxofre, argila, resorsinol, óxido de zinco, etc.
O acne Grau II pode evoluir com o obstrução da glândula sebácea e dar origem aos  nódulos e abscessos  que correspondem a uma fase avançada da acne, tendo tamanhos variados. Esses frequentemente drenam secreção purulenta e deixam cicatrizes, que podem ser uma consequência natural das lesões  inflamatórias, ou o resultado da manipulação das lesões pela destruição das células germinativas localizadas na região mediana do folículo.
Este já é um Grau de Acne III e se os nódulos forem grande provocando deformidade de contorno de tecido, dor nas articulações e até febre, é classificada como Conglobata. Ambas serão acompanhadas por tratamento médico, provavelmente com medicação via oral, cabendo ao esteticista a higienização da face, aplicação de bioativos cosméticos calmantes, antiinflamatórios, além da drenagem linfática e do uso de alguns aparelhos como o LAZER de baixa potência.
Além do período da adolescência, a acne pode ocorrer também em outras fases da vida. A ação dos andrógenos maternos nas primeiras seis semanas de vida é responsável pela acne neonatal. A acne infantil é mais comum em meninos e se inicia entre o terceiro e sexto mês de vida, pelas secreções precoces de andrógenos gonadais. A acne do adulto é mais frequente em mulheres (acne da mulher madura), sendo uma continuação da acne da adolescência ou tendo início na idade adulta. Na acne da mulher madura o quadro se exacerba com o ciclo menstrual e pode estar associado a outros sinais de hiperandrogenismo, como seborréia, acne, hirsutismo e alopécia. Outras variantes incluem a acne escoriada, fundamentalmente de origem “mania”, mania de cutucar; a acne estival ou do verão, que ocorre após a exposição solar, e a acne cosmética, decorrente do uso de produtos tópicos oclusivos e obstrutivos dos óstios.

A acne  pode ser dividida em inflamatória e não-inflamatória, conforme as lesões predominantes, podendo ser graduada de I a V.

A acne grau I, não inflamatória ou comedoniana, apresenta predomínio de cômedos.

A acne inflamatória é responsável pelos graus II, III, IV / Conglobata. 
Na acne grau II há predomínio de lesões pápulo-pustulosas além dos cômedos.

Na acne grau III nódulos e cistos podem ser observados, além das pápulas-pustulosas  e dos comedões.

A acne grau IV ou Conglobata é uma forma severa da doença com múltiplos nódulos  e abscessos  que correspondem a uma fase avançada da acne. Esses deixam cicatrizes, que podem ser uma consequência natural das lesões inflamatórias, ou o resultado da manipulação das lesões pela destruição das células germinativas localizadas na região mediana do folículo.

Continuaremos este artigo com uma ficha de avaliação detalhada seguida de possíveis terapias , associando cosmeceuticos, dermoativos e alguns recursos eletroterapêuticos.

Boa leitura, bjos!!!!!!!!!!!!!!

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